Verdade Seja Dita

No final do ano passado, precisei renovar alguns dos meus documentos brasileiros. Existe um Consulado Geral do Brasil em Sydney, mas eles são os responsáveis por atender brasileiros na região de NSW (New South Wales), QLD (Queensland), NT (Northern Territory). Nós, “victorianos”, temos que recorrer diretamente aos serviços prestados pela Embaixada do Brasil, na capital da Austrália, Canberra. Abre parênteses. Minha mãe me contou hoje que uma mulher deixou de ganhar uma grana no programa do Faustão, por não saber qual era a capital da Austrália. Você, que lê o meu Blog, não vai passar pelo mesmo problema! Repita comigo: a capital da Austrália é CANBERRA! A capital da Austrália é CANBERRA! A capital da Austrália é CANBERRA! Decorou? Você já está pronto para participar dos próximos programas do gênero na TV… Hahaha! Fecha parênteses.

A Embaixada conta com um serviço intitulado “Consulado Itinerante”, que viaja por algumas cidades australianas prestando serviços à comunidade brasileira, em média duas vezes por ano. O brasileiro deve inscrever-se, agendando um horário, para ter atendimento quando a equipe chegar em sua cidade. Quando eu precisei usar o serviço pela primeira vez, o Itinerante foi cancelado, por corte de verbas. Serviço público brasileiro é sempre serviço público brasileiro, ainda que no exterior! Como eu não podia esperar mais, já que um dos meus documentos vencidos era simplesmente meu PASSAPORTE, tive que agendar uma hora direto lá na própria sede da Embaixada. Consegui um horário numa segunda-feira, logo de manhã, o que foi um excelente motivo para passarmos um fim de semana na cidade, já que seria impossível chegar no horário, se eu não fosse de avião.

Amei a cidade! Turismo da melhor qualidade! Se você tiver a chance de conhecer o lugar, não perca! Voltei de lá encantada. Mas, como toda boa cidadã brasileira, eu estava esperando perder um dia inteiro com a burocracia do serviço público nacional. Sinceramente, eu tinha péssimas expectativas, já que, além de ser prestação de serviço público, ainda havia um tal corte de verbas envolvido! Enfim, vivi no Brasil por toda a minha vida, e a gente sabe como as coisas funcionam por lá… Eu estava esperando um atendimento de nível brasileiro, se é que você me entende… Mas olha gente, adoro ser surpreendida, principalmente quando sou POSITIVAMENTE surpreendida! Chegamos pontualmente e fomos prontamente atendidos!  Como se não bastasse, fomos muito bem atendidos, com cordialidade, simpatia e excelência em todos os processos. Levamos pouco mais de 45 minutos para resolver tudo, numa sala super confortável e com pessoas muito prestativas!

Certamente, nós brasileiros gostamos um pouquinho de reclamar daquilo que achamos que não está de acordo. Muitas vezes, reclamamos até sem motivo, simplesmente pelo “bom e velho hábito” de reclamar. Mas, quantos de nós elogiamos e agradecemos, quando somos bem servidos? Não tive dúvidas: agradeci muito. Cheguei em casa e logo no dia seguinte, enviei um email de agradecimento a toda a equipe que me serviu tão bem na Embaixada. Recebi prontamente uma resposta, pedindo-me para enviar os comentários e elogios a Ouvidoria Consular Brasileira, o que fiz sem demora. O que é bom precisa ser reconhecido. Um bom trabalho merece ser elogiado. Gentileza gera gentileza. E fiquei muito orgulhosa e segura, sabendo que posso contar com um serviço público de qualidade, estando tão longe do meu país. Obrigada, Embaixada do Brasil na Austrália! Eu reclamo quando me sinto lesada em algum direito meu, mas reconheço quando o trabalho é bem feito! Foi uma experiência muito positiva…

Eu toda feliz na Embaixada...
... e aproveitando para fazer turismo - Parliament House, Canberra - ACT

 

Pronto, falei! Tô Leve!

Dia desses tivemos uma discussão na aula sobre estereótipos. Assunto legal, não? Meu professor começou perguntando o que as pessoas pensavam quando ele citava o nome de um determinado país. Confesso que eu nem estava prestando muita atenção, fazendo outra coisa, quando de repente ouço “BRASIL” e automaticamente duas pessoas respondem rápido: “DROGAS”!  Ah, pra quê? Senti a ira começando a inflar aqui dentro… Imediatamente me virei enfurecida para as tais pessoas e bati na mesa, esbravejando: Que é isso, gente? O Brasil NÃO é conhecido no mundo por causa de drogas, não! Esse estereótipo é de outro país na América do Sul, nossos vizinhos! Vocês estão equivocados!!! O Brasil é conhecido por samba, futebol, Carnaval, alegria, comemorações o ano inteiro!!! E meu professor, todo querido, veio em meu auxílio, confirmando as informações que eu compartilhava, tentando controlar a minha súbita “fúria”.

Abre parêntese. Estou mesmo farta de tanto responder perguntas hediondas sobre o Brasil e a nossa realidade. Por exemplo, já me perguntaram mais de uma vez se todo mundo anda de biquini pela rua… Sim, meu querido! O Brasil inteiro é uma enorme praia e a gente fica o ano todo praticamente pelado, andando de Havaianas e bebendo água de coco!!! Outros querem saber se eu já desfilei com aquelas fantasias maravilhosas com 165.783.940.526.374 plumas, sambando no Carnaval carioca. E quando ouvem a minha resposta, dizendo: Não, eu ODEIO Carnaval, me olham com aquela cara de espanto! Já tive o desprazer de responder a um ser que me perguntou se eu morava na floresta! Sim, gênio, bem no meio da Floresta Amazônica! Vou trabalhar de cipó, meu amor… Não tá percebendo esse arco e flecha aqui na minha mão? Grrrrrrr! A situação mais irritante foi discutir com um colega de classe, que afirmava de pé junto que a Amazônia não pertence ao Brasil! “Ela fica perto, mas não dentro”, disse ele. Eu posso com isso??? Gente que pensa ser o Espanhol a nossa língua-mãe, é quase 80%. Você diz que é brasileira e o dito cujo logo pergunta: “Tu hablas español”??? Não, Einstein, Io parlo Português!!! Fecha parêntese.

Depois da discussão do estereótipo, chego em casa e caio na Internet, procurando coisas sobre o assunto, e encontro uma pesquisa no site da CNN. A nacionalidade considerada mais “cool” do mundo é a BRASILEIRA! Por quê? Oras, porque, traduzindo com fidelidade o que diz o site, “sem brasileiros, não teríamos o samba e o Carnaval do Rio, não teríamos a beleza do futebol de Pelé e Ronaldo, não teríamos o biquini minúsculo e corpos tonificados da praia de Copacabana”. Cheguei no dia seguinte radiante de alegria, e, mal a aula começou, abri meu computador toda prosa e PALESTREI sobre a tal pesquisa! Hahahaha! Silêncio geral… Sabe aquela sensação MA-RA-VI-LHO-SA de riso interior???

Mas como quem ri por último (interna ou externamente) sempre ri melhor, poucos dias depois estoura um escândalo em Melbourne: feita a MAIOR apreensão de drogas já vista no Estado de Victoria, a quinta maior na Austrália, vinda de onde? De onde? Por favor, caro leitor, me responda: de onde???  Da minha pátria-amada-idolatrada-salve-salve! Nem preciso dizer que foi vergonhoso encarar a realidade e ter que aceitar  as drogas como um estereótipo triste da imagem atual do nosso país perante o mundo. Eu só tenho a lamentar.

Nada Na Vida É Para Sempre…

Pode até parecer fatalista. E é. Mas a verdade é que as coisas sempre são passageiras; as situações mudam constantemente, num simples piscar de olhos. E eu precisei mudar de rotina, de país e de vida, para entender plenamente essa verdade. Confesso, sem falsa modéstia e nem sombra de hipocrisia, que estou muito orgulhosa de mim mesma. Por anos à fio, tive a sensação de que eu era extremamente madura, absolutamente sábia e experiente, por muitas coisas que tive que superar nessa vida, mas hoje vejo aquela petulância inerente às pessoas jovens, que acreditam SABER TUDO! Não consigo evitar uma boa risada ao pensar nisso…

A vida me surpreendeu. Esses quase 3 anos de vivência no exterior me amadureceram mais do que todos os outros vividos na minha então zona de conforto. Posso afirmar que tenho sido transformada. E gosto de quem estou me tornando. Gosto do que a vida tem feito em mim. Fato. Mas essa semana tenho experimentado algo muito novo, que tem trazido um grande alento ao meu coração… Mais uma vez, grandes amigos estão indo embora. Pessoas com as quais a gente se envolveu, compartilhou, amou, chorou, riu, dividiu, somou, e agora somos obrigados à subtrair! Já falei aqui mais de uma vez, que uma das piores coisas para mim é essa eterna sensação de que, em breve, vamos nos despedir de mais alguém. Nem todo mundo veio para ficar. A maioria tem um tempo determinado, com planos de volta ao Brasil ou seu país de origem.

Quando recebi a notícia da data de embarque deles (fui a primeiríssima a saber), meu coração acelerou. Imediatamente entrei no meu processo de estimação de reclamação mental, de “coitadismo” interior, pensando que eu não precisava passar por isso, DE NOVO! Há 3 anos vivo essa coisa de me despedir, constantemente… E olha, se eu tivesse uma caixa de bombons por perto, teria me afundado nela, iniciando (com consciência!) um processo depressivo. Mas fiz o que eu tinha ao meu alcance, até porque estou de dieta: falei com Deus! E no meu processo de “terapia com o Todo-Poderoso”, comecei a enxergar algo diferente brotando em mim. Notei, lá fundo, um certo desejo de não me entregar, de não me deixar abater, mas de procurar responder à esse momento com amadurecimento, deixando a “menininha mimada” dentro de mim totalmente desconcertada!

Comecei a pensar no quanto eles estão felizes por voltar. E me alegrei junto. Comecei a pensar o quanto foi bom todo esse tempo que caminhamos juntos. E agradeci pela oportunidade de conhecê-los. Comecei a pensar em quantas vezes ainda terei que me despedir de pessoas que amo. E decidi aproveitar com alegria cada segundo que me for dado em companhia deles. Então eu entendi. Realmente estou mudando. Estou evoluindo. Como pessoa. O amadurecimento tão sonhado está batendo à minha porta. E a resposta a ele é de minha inteira responsabilidade. A escolha de ficar sofrendo e chorando, me lamentando e lambendo as minhas feridas, ou me sentindo uma coitada, é MINHA! Que libertador isso! E me levantei, decidida a ser autora da minha própria história. Decidida à usar tudo o que a vida tem me dado para construir a pessoa que quero efetivamente me tornar.

Aos nossos amigos que estão indo, só tenho à agradecer. Por absolutamente TUDO. Mas principalmente, porque sei que esse tempo juntos foi apenas o começo de uma história de amizade que vai durar, independente de distância. E porque, mesmo sem saber, eles ainda estão me ajudando a me conhecer mais, me respeitar mais e me ver, definitivamente, como a mulher forte que eu realmente estou me tornando… Obrigada, meus queridos! Eu amo vocês três. Mais do que nunca!

Nossa "família" aussie!

Enchentes Na Austrália.

Fico chocada cada vez que ligo a TV. As imagens são inacreditáveis. As perdas são incalculáveis. As histórias das vítimas levam qualquer um às lágrimas. A pior enchente dos últimos anos. Aliás, desde que cheguei aqui, estou presenciando todo tipo de coisa: fogo, água, terremoto… Esse lugar não tem rotina!

Mortos, desaparecidos, feridos, milhares e milhares de casas destruídas, arrastadas; um incontável número de carros (e carretas, e ônibus e todo tipo de transporte) levados pelas correntezas. Bairros inteiros submersos em água suja, barrenta, perigosa para a saúde e, pasmem: crocodilos estão sendo encontrados em áreas urbanas, vindos com a correnteza dos rios em transbordamento. Que peculiar! E totalmente assustador…

Temos amigos brasileiros praticamente “ilhados” em Ipswich, um dos piores pontos da catástrofe em Queensland. A água não chegou na casa deles, graças à Deus, mas temos falado com eles pelo telefone e as descrições da cidade e das condições são absurdas. A empresa em que meu marido trabalha acabou de construir uma filial novinha em Brisbane, e o Presidente esteve ontem lá para conferir os estragos… de BARCO! Dois metros e meio de água quase engoliram o prédio recém entregue!

Mais uma vez, o país se une em torno da ajuda, resgate, doações e apoio às vítimas. Como já disse em outras ocasiões, australianos são extremamente voluntários: se posicionam, se unem, doam quantias absurdas em dinheiro, mas também abrem suas casas, suas vidas, seus bens, para ajudarem uns aos outros.

Impossível não chorar vendo as histórias das vítimas e suas famílias, mas é igualmente impossível não se emocionar com a união deles. Tenho certeza que, logo terminando esse período de chuvas, que ainda vai durar uns dias, infelizmente, tudo será reconstruído e refeito com a ajuda de todos.

Muitos têm me perguntado sobre as inundações, mas à todos que se preocupam conosco, fiquem tranquilos: estamos bem distantes dos locais afetados. Moramos em outro Estado. Aqui em Melbourne chove sem parar desde a última segunda-feira, mas é NADA comparado ao que estamos vendo em outras regiões do país.

Canais de Televisão cobrem praticamente 24 horas os acontecimentos nos locais das inundações e sugiro que você visite os endereços abaixo, caso esteja buscando por informações sobre o “dilúvio” australiano. Mas quero compartilhar um vídeo muito assustador, demonstrando a rapidez e a força das águas. É de arrepiar. E que Deus tenha misericórdia de todos, na Austrália e também no Brasil, especialmente nas regiões serranas do Rio de Janeiro. Nos juntemos em oração…

Essas filmagens amadoras foram feitas em Toowoomba, de onde veio um rio parecendo uma onda gigante, daí muitos dizerem que a Austrália viveu algo semelhante à um “Tsunami”.

Confira detalhes nos sites abaixo:
http://www.news.com.au/

http://www.abc.net.au/news/stories/2011/01/11/3110450.htm?section=justin

http://au.news.yahoo.com/local/qld/

A “Palhaçada” Nas Eleições Brasileiras…

Já mencionei aqui num outro post e refaço minha afirmação: se tem uma coisa da qual NÃO SINTO FALTA do Brasil, é a Política! Tenho muito orgulho, sim, de sermos um país “democrático” ( nem tanto, na minha humilde opinião), de termos um sistema de voto de Primeiro Mundo (embora no Primeiro Mundo eles não tenham um sistema como o nosso! Nas últimas eleições aqui na Austrália, levaram dias e dias apurando os votos!), de termos “liberdade” para discutir, conhecer e se aprofundar nas questões políticas e sociais do nosso país. Tudo isso foi conquistado com muita luta, depois de anos de ditadura militar e muito sofrimento do povo brasileiro. Hoje, o Brasil é respeitado politicamente falando em todo o mundo, com a quarta democracia mais forte do planeta!

Mas vamos falar sério??? Fiquei chocada quando vi o resultado para Deputado Federal. Sem nenhuma ofensa pessoal ao Tiririca, mas como um povo que pensa em mudar seu rumo político, mudar sua história, um povo que reclama tanto de seus políticos e suas atitudes, pode tê-lo como Deputado Federal do PR, o  MAIS VOTADO DO BRASIL, com 1.353.000 votos? Sim, mais de um milhão de votos para o Tiririca???

Desanimo com situações como essa! Desanimo de ver um Brasil novo, um Brasil moderno, rumo ao crescimento e desenvolvimento. Um Brasil que muitas vezes dá sinais de amadurecimento, de crescimento invejável, como por exemplo, duas horas depois já termos resultados confiáveis da eleição em vários estados… Mas a manisfestação do povo ao votar no citado “palhaço”, não me faz pensar em revolta contra a corrupção, nem desejo de mudança, nem maturidade para escolher… isso me soa como INFANTILIDADE política, desprezo pela preciosidade e unicidade do VOTO, desvalorização da própria cidadania!

E agora aguardemos pela “palhaçada” posterior, quando os candidatos começam as chamadas “coligações” para o Segundo Turno. Eles se atacam, quase se matam durante o Primeiro Turno, correm atrás das sujeiras passadas e jogam isso no ventilador, tornando os horários eleitorais gratuitos em momentos desagradáveis e, no mínimo, constrangedores, quando, na realidade, deveríamos ter esses momentos para conhecer as idéias e os projetos de cada candidato. Aí, no fim,”arqui-inimigos” dividem palanques, trocam abraços e apertos amigáveis de mãos. H-I-P-O-C-R-I-S-I-A!

Já me decepcionei muito em eleições passadas, quando eu me identificava totalmente (e ideologicamente) com os candidatos que escolhi, e posteriormente eles acabaram se coligando com gente desonesta, com ladrões descarados, gente tipo “que rouba mas faz”, entende? Por isso, não manifesto minha opinião, nem minha preferência para Presidente, porque posso ter uma nova decepção, mesmo não votando, ou estando fora do Brasil nessas eleições. De coração, espero que a pessoa que hipoteticamente receberia meu voto (e minha credibilidade!) não se alie àqueles em quem eu JAMAIS votaria por questões de ética e valores morais. E que Deus nos ajude. Embora tenha gente acreditando “nesta eleição nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória”, que Ele seja o Árbitro em TODAS AS COISAS…

 

2 Anos Depois… Inacreditavelmente FELIZ!

Inacreditável. Impossível. Inimaginável. Inatingível. Se alguém me dissesse isso, há um ano atrás, certamente eu riria. Ou choraria. Inacreditavelmente aconteceu. Impossivelmente (existe isso?) real. Inimaginavelmente verdadeiro. Inatingivelmente atingido (essa foi das boas!). Não tenho palavras para descrever o verdadeiro milagre (sim, milagre! Dos bons…) que significa estar aqui blogando sobre meu SEGUNDO aniversário de Austrália!

Para quem não sabe, sofri muito de saudades durante o primeiro ano longe do Brasil. Noites sem dormir. Fiquei várias vezes doente. Literalmente. Corpo e alma. Muito mais alma, o que gerou vários sintomas no corpo. Coração doente, quebrado. Confuso. Abatido, desanimado. Mesmo sabendo a maravilha que é viver aqui. Mesmo conhecendo coisas incomparáveis por aqui. Minha dor era tamanha, que muitas vezes sentia meu peito prestes à explodir. Perdi a conta de quantas vezes chorei. De quantas vezes disse que ia embora. De quantas vezes lutei para não me apaixonar por esse lugar, por medo. Medo de me perder. Medo de perder minha essência. Medo de um dia ter que escolher…

E o medo, se você nunca o experimentou, paraliza a gente. Congela o crescimento. Torna a gente estático, imóvel. E coisa parada apodrece. Fede. Não serve mais prá nada. Por isso digo que foi um milagre. Um toque de Deus em mim. E de repente, UAU! Começo a compreender tantas coisas… Inconscientemente, começo a enxergar meus medos internos… Que amar a Austrália não significa DEIXAR de amar o Brasil. Que ter uma vida legal na Austrália não significa APAGAR as coisas lindas que vivi ( e ainda vou viver) em minha terra! Que aproveitar tudo de incrível que a Austrália tem não significa TRAIR minhas origens. Que viver, falar, ler ou ouvir em outra língua não significa ABANDONAR a língua pela qual eu sempre fui apaixonada. Que conhecer pessoas, fazer novos amigos, não significa ESQUECER aquelas que fazem parte de mim, que me ajudaram a construir quem eu sou… Hoje sou livre para ter OS DOIS!

Hoje meus olhos estão completamente abertos. Não posso perder mais nenhum segundo. Não QUERO mais perder absolutamente NADA dessa oportunidade que a vida está me dando. Que Deus está me permitindo. Como sempre brinquei com minhas amigas, Deus gosta de me mimar. Ele faz isso o tempo todo. Acredito nisso. Piamente. Seriamente. E hoje, dois anos depois, posso dizer de verdade, sinceramente, como nunca disse antes: OBRIGADA DEUS, por ter me trazido aqui. Estou feliz. Inacreditavelmente. Inacreditavelmente feliz! Tão feliz, que mal posso acreditar…

“NÃO HÁ NADA COMO A AUSTRÁLIA!”

175 Anos De Encanto!

Hoje Melbourne comemora seus poucos 175 anos! Uma cidade relativamente jovem, mas muito “madura”! É  a segunda maior cidade da Austrália (fica atrás apenas de Sydney em população!), contando com mais de quatro milhões e meio de habitantes! Depois de viver aqui por 2 anos, sou capaz de me apaixonar de novo todo dia por essa cidade! Meu marido vira e mexe recebe algumas propostas de trabalho em outros lugares e já sabe da resposta: “se estiver disposto à ir sozinho, passar a semana fora e voltar aos finais de semana, fique à vontade!” Só saio daqui para… sei lá onde! Não tenho planos de mudar-me daqui tão cedo, ou talvez nem tão tarde!!!

Tipicamente metropolitana, a cidade conserva suas origens vitorianas, seus prédios e construções maravilhosamente restauradas, somadas à uma modernidade invejável, dando um clima único ao Centro e suas imediações! Passear a pé pela cidade é um dos meus programas preferidos, para observar os prédios, cafés, restaurantes, jardins milimetricamente bem cuidados, obras de arte pelas ruas… Apaixonante!

Sinto-me TÃO privilegiada e presenteada por viver aqui, que peço à Deus sempre para me lembrar de NÃO ME ACOSTUMAR com tudo isso. Não quero viver como muitas pessoas, que de tanto ver, passar pelos lugares, viver ali, acabam achando normal, comum… Deixam de se surpreender com a cidade, com suas pequenas surpresas ao longo do caminho, deixam de admirar o que temos aqui. Tento sempre viver como TURISTA, admirando, parando, observando, curtindo cada momento e ( por que não???) fotografando sempre que possível.

Lembrei-me de uma frase que postei logo que cheguei aqui na Austrália, há dois anos atrás, e ainda hoje, tento vivê-la de todo o meu coração: “Uma pessoa comum maravilha-se com coisas incomuns; um sábio maravilha-se com o corriqueiro” – Confúcio (séc. IV a.C.). Melbourne é efetivamente um lugar incomum, mas a sabedoria vem por não permitir que a rotina e o dia-a-dia a transformem em algo corriqueiro! E escrevi também: Quero ter o dom, o talento, a sabedoria que vem do alto, prá valorizar cada pequeno detalhe…  E fico extremamente feliz em ter pensado assim desde o começo e, mais ainda, por estar de fato vivendo da forma como me propus: me encantando e me apaixonando de novo e de novo por esse lugar mágico!

À beira do Yarra River
Melbourne vista de Southbank
Em Southbank
Jantando à beira do Yarra River
Vista noturna em frente ao Crown Casino