Nada Na Vida É Para Sempre…

Pode até parecer fatalista. E é. Mas a verdade é que as coisas sempre são passageiras; as situações mudam constantemente, num simples piscar de olhos. E eu precisei mudar de rotina, de país e de vida, para entender plenamente essa verdade. Confesso, sem falsa modéstia e nem sombra de hipocrisia, que estou muito orgulhosa de mim mesma. Por anos à fio, tive a sensação de que eu era extremamente madura, absolutamente sábia e experiente, por muitas coisas que tive que superar nessa vida, mas hoje vejo aquela petulância inerente às pessoas jovens, que acreditam SABER TUDO! Não consigo evitar uma boa risada ao pensar nisso…

A vida me surpreendeu. Esses quase 3 anos de vivência no exterior me amadureceram mais do que todos os outros vividos na minha então zona de conforto. Posso afirmar que tenho sido transformada. E gosto de quem estou me tornando. Gosto do que a vida tem feito em mim. Fato. Mas essa semana tenho experimentado algo muito novo, que tem trazido um grande alento ao meu coração… Mais uma vez, grandes amigos estão indo embora. Pessoas com as quais a gente se envolveu, compartilhou, amou, chorou, riu, dividiu, somou, e agora somos obrigados à subtrair! Já falei aqui mais de uma vez, que uma das piores coisas para mim é essa eterna sensação de que, em breve, vamos nos despedir de mais alguém. Nem todo mundo veio para ficar. A maioria tem um tempo determinado, com planos de volta ao Brasil ou seu país de origem.

Quando recebi a notícia da data de embarque deles (fui a primeiríssima a saber), meu coração acelerou. Imediatamente entrei no meu processo de estimação de reclamação mental, de “coitadismo” interior, pensando que eu não precisava passar por isso, DE NOVO! Há 3 anos vivo essa coisa de me despedir, constantemente… E olha, se eu tivesse uma caixa de bombons por perto, teria me afundado nela, iniciando (com consciência!) um processo depressivo. Mas fiz o que eu tinha ao meu alcance, até porque estou de dieta: falei com Deus! E no meu processo de “terapia com o Todo-Poderoso”, comecei a enxergar algo diferente brotando em mim. Notei, lá fundo, um certo desejo de não me entregar, de não me deixar abater, mas de procurar responder à esse momento com amadurecimento, deixando a “menininha mimada” dentro de mim totalmente desconcertada!

Comecei a pensar no quanto eles estão felizes por voltar. E me alegrei junto. Comecei a pensar o quanto foi bom todo esse tempo que caminhamos juntos. E agradeci pela oportunidade de conhecê-los. Comecei a pensar em quantas vezes ainda terei que me despedir de pessoas que amo. E decidi aproveitar com alegria cada segundo que me for dado em companhia deles. Então eu entendi. Realmente estou mudando. Estou evoluindo. Como pessoa. O amadurecimento tão sonhado está batendo à minha porta. E a resposta a ele é de minha inteira responsabilidade. A escolha de ficar sofrendo e chorando, me lamentando e lambendo as minhas feridas, ou me sentindo uma coitada, é MINHA! Que libertador isso! E me levantei, decidida a ser autora da minha própria história. Decidida à usar tudo o que a vida tem me dado para construir a pessoa que quero efetivamente me tornar.

Aos nossos amigos que estão indo, só tenho à agradecer. Por absolutamente TUDO. Mas principalmente, porque sei que esse tempo juntos foi apenas o começo de uma história de amizade que vai durar, independente de distância. E porque, mesmo sem saber, eles ainda estão me ajudando a me conhecer mais, me respeitar mais e me ver, definitivamente, como a mulher forte que eu realmente estou me tornando… Obrigada, meus queridos! Eu amo vocês três. Mais do que nunca!

Nossa "família" aussie!

Doença Crônica Julina!

Ano passado, nessa mesma época, eu estava no Brasil. Sozinha. Remediando a saudade da família e dos amigos, da minha cidade do coração (não sou jundiaiense de berço, mas amo como se fosse!), de algumas comidas prediletas e de alguns momentos únicos para mim. Meu marido e meus filhos ficaram aqui na Austrália. Literalmente, uma viagem paliativa. Como um Band-Aid emocional, em uma ferida gigante. A saudade dos meus filhos não me permitia curtir a cura da saudade de quem ficou no Brasil… Brincadeira bem SEM graça!

Mas os momentos que passei lá, com algumas pessoas absolutamente INSUBSTITUÍVEIS em minha vida, tornaram minha estadia aqui muito mais produtiva. Quando voltei, a Austrália parecia mais bonita, mais agradável, mais atrativa e totalmente capaz de se tornar “meu lar”! A sensação que eu tive quando cheguei, foi a de que tomamos a decisão certa, de que morar aqui é TUDO DE BOM, que a qualidade de vida vale a distância… Munida de minha energia recarregada e relembrando algumas situações desagradáveis vividas lá, comecei um novo ciclo cheia de esperança, acreditando que, enfim, ia demorar para sentir falta de tudo que ficou para trás! Que engano! Apenas um ano depois, cá estou eu com uma saudade quase insuportável dentro do peito, disposta à viver tudo outra vez, apenas para estar perto de algumas pessoas que deixei lá…

Claro que alguns fatos desencadearam a minha “homesick” atual. Falei ao telefone com minha mãe por um tempão no último domingo, com meu irmão que estava passando uma semana na casa dela, e relembramos coisas boas e bons momentos compartilhados. Hoje minha irmã deixou uma mensagem no meu Facebook, também relembrando minha ida no ano anterior. E por fim, o golpe final: revi as fotos que tiramos lá e relembrei cada momento vivido! Pronto. Agora é fato. Tenho uma nova doença crônica: a síndrome da saudade da viagem das férias de Julho! Hahahahahah!

Conversando com uma amiga brasileira no último fim de semana, concluímos que a verdade é UMA SÓ: saudade é uma doença crônica. Vai e volta. Melhora e piora. Some e reaparece. Basta um pequeno detalhe, uma lembrança, um cheiro, uma música, uma foto, um pensamento, e lá vem ela forte e insuperável, arrasando com as certezas que a gente “ACHAVA” que tinha. E a conclusão mais profunda de nossa conversa: o pior problema é ter saído do Brasil para morar fora. Depois disso, nosso coração ficará eterna e dolorosamente dividido. Querendo estar lá e aqui ao mesmo tempo. Amando tudo que a nova vida aussie nos proporciona, mas desejando ardentemente dividir e compartilhar tudo isso com pessoas que a gente ama demais para deixar partir de nossas vidas…

Aprendendo Com Alice

Aqueles que me conhecem e convivem comigo, sabem da minha grande luta para ser uma pessoa grata. Eu diria que sou, mais ou menos, por assim dizer, tipo assim, indo direto ao ponto, uma pessoa que sempre quer mais. Quero mais da vida, mais de mim, mais do mundo, mais de Deus, mais dos outros, mais, mais, mais, mais… Imediatamente após conquistar algo, mal tenho tempo de comemorar, porque estou ocupada estabelecendo uma nova meta ou conquista. Ou seja, querendo algo além…

Essa busca contínua se levanta petulante e presunçosa na luta entre o espiritual e o carnal, entre a satisfação e o desejo de sempre melhorar, obscurecendo a visão clara e límpida da grandeza da vida diante dos meus olhos. E eu preciso lutar. Lutar sempre. Buscar olhos que enxerguem realização em tudo, coração que encontre satisfação em cada detalhe da vida e mente que descanse diante de cada milagre diário. Todos os dias, eu preciso parar, deliberadamente, para agradecer à Deus tudo que a vida me proporciona.

Hoje me deparei com uma notícia no site da Globo, que me levou a parar tudo, respirar fundo e agradecer. Agradecer por tudo que vivi até aqui, por tudo que tenho vivido no presente e, de antemão, pelos dias que me restam. Sou grata pela minha vida, minha família, meus amigos, minha fé… Grata pelo privilégio de estar viva e totalmente convencida de que o AQUI e o AGORA são as duas únicas certezas de nossa frágil existência.

Leia a reportagem você mesmo e, do fundo do meu coração, eu faço agora uma breve oração silenciosa, clamando para que você seja contagiado pelo mesmo sentimento e aproveite para agradecer HOJE também, já que o AMANHÃ é um mistério.

“Uma adolescente britânica de 15 anos em estado terminal de câncer atraiu mais de 230 mil visitantes para o seu blog no qual relata sua busca em conseguir completar uma lista de 17 coisas que pretende fazer antes de morrer. Alice Pyne lançou seu blog na última segunda-feira, após seus médicos terem considerado que não há mais tratamentos possíveis para o linfoma descoberto há quatro anos.

‘Eu sei que o câncer está me vencendo e não parece que eu vou vencer esta’, diz ela em sua apresentação no blog. ‘É uma pena, porque há tanta coisa que eu ainda queria fazer’, escreveu ela.

Ela prometeu documentar ‘o tempo precioso com minha família e meus amigos, fazendo as coisas que eu quero fazer’. ‘Você só tem uma vida… viva a vida’, complementa.

Em uma mensagem postada após o sucesso do blog, ela escreveu: ‘Nossa, eu pensei que estava só fazendo um pequeno blog para alguns amigos! Muito obrigado por todas suas adoráveis mensagens para mim’.

Entre os desejos da menina está nadar com tubarões, encontrar a banda Take That, visitar uma fábrica de chocolates e inscrever sua cachorra, Mabel, em um concurso. Ela também incluiu em sua lista ‘fazer todo mundo se inscrever para se tornar doador de medula’. Na quarta-feira, com a repercussão de sua história, o próprio primeiro-ministro britânico, David Cameron, prometeu se tornar um doador após ouvir o relato do caso de Alice no Parlamento por um deputado opositor.

O sucesso também a ajudou a arrecadar mais de 10 mil libras (cerca de R$ 26 mil) em doações para uma organização beneficente de pesquisas sobre o câncer. No ano passado, Alice Pyne já tinha ganhado certa notoriedade na Grã-Bretanha ao lançar uma campanha com a associação Anthony Nolan, que ajuda pacientes que precisam passar por transplantes, para encontrar doadores de medula óssea que pudessem ajudá-la em seu tratamento.

Mais de mil pessoas se voluntariaram para doar a ela, mas em outubro os exames médicos mostraram que o câncer havia se espalhado e que já não havia opções de tratamento. Ela passou por várias sessões de radioterapia e quimioterapia, além de se submeter a um transplante com as suas próprias células-tronco, mas os tratamentos não tiveram o resultado esperado.

Em sua apresentação no blog, a adolescente diz que não espera conseguir completar toda sua lista de desejos. ‘Algumas coisas não vão acontecer, porque eu não posso nem mesmo viajar mais’, diz. Um dos itens de sua lista é ‘viajar para o Quênia’. Ela diz, porém, que pensou que seria divertido publicar a lista na internet e ir marcando o que ela for conseguindo fazer, ao mesmo tempo atualizando os leitores do blog sobre o processo.

Graças ao sucesso do blog, porém, ela vem recebendo milhares de ofertas de ajuda para conseguir cumprir seus desejos. Em um comentário postado na quinta-feira, ela conta que vai conhecer o Take That no fim de semana. ‘Estou tão excitada que nem posso esperar. Só espero que não fique doente ou algo estúpido’, diz. ‘Tenho vivido de pijamas no último ano, então minha mãe foi à cidade para comprar roupas para mim’, conta. ‘Parece que outras coisas que eu havia desejado estão sendo organizadas para mim, então obrigado a todos por isso. Eu me sinto uma garota de muita sorte’, afirmou.

Obrigada, Alice, por me ajudar a ver que a vida tem que ser vivida. Por me ajudar a ver que, mesmo em situações muito complicadas e difícies, ainda há razões para agradecer. Por me ajudar a ter um coração mais grato e sereno, e principalmente, por me lembrar de tirar minha própria lista de “coisas à fazer antes de morrer” do fundo da gaveta. Nosso tempo aqui é curto. O importante é viver o hoje. Como você. Aproveite cada segundo, cada momento. Estou orando por você! Que cada um dos seus dias seja um espetáculo imperdível.

Com todo meu amor,

Carolina

Enchentes Na Austrália.

Fico chocada cada vez que ligo a TV. As imagens são inacreditáveis. As perdas são incalculáveis. As histórias das vítimas levam qualquer um às lágrimas. A pior enchente dos últimos anos. Aliás, desde que cheguei aqui, estou presenciando todo tipo de coisa: fogo, água, terremoto… Esse lugar não tem rotina!

Mortos, desaparecidos, feridos, milhares e milhares de casas destruídas, arrastadas; um incontável número de carros (e carretas, e ônibus e todo tipo de transporte) levados pelas correntezas. Bairros inteiros submersos em água suja, barrenta, perigosa para a saúde e, pasmem: crocodilos estão sendo encontrados em áreas urbanas, vindos com a correnteza dos rios em transbordamento. Que peculiar! E totalmente assustador…

Temos amigos brasileiros praticamente “ilhados” em Ipswich, um dos piores pontos da catástrofe em Queensland. A água não chegou na casa deles, graças à Deus, mas temos falado com eles pelo telefone e as descrições da cidade e das condições são absurdas. A empresa em que meu marido trabalha acabou de construir uma filial novinha em Brisbane, e o Presidente esteve ontem lá para conferir os estragos… de BARCO! Dois metros e meio de água quase engoliram o prédio recém entregue!

Mais uma vez, o país se une em torno da ajuda, resgate, doações e apoio às vítimas. Como já disse em outras ocasiões, australianos são extremamente voluntários: se posicionam, se unem, doam quantias absurdas em dinheiro, mas também abrem suas casas, suas vidas, seus bens, para ajudarem uns aos outros.

Impossível não chorar vendo as histórias das vítimas e suas famílias, mas é igualmente impossível não se emocionar com a união deles. Tenho certeza que, logo terminando esse período de chuvas, que ainda vai durar uns dias, infelizmente, tudo será reconstruído e refeito com a ajuda de todos.

Muitos têm me perguntado sobre as inundações, mas à todos que se preocupam conosco, fiquem tranquilos: estamos bem distantes dos locais afetados. Moramos em outro Estado. Aqui em Melbourne chove sem parar desde a última segunda-feira, mas é NADA comparado ao que estamos vendo em outras regiões do país.

Canais de Televisão cobrem praticamente 24 horas os acontecimentos nos locais das inundações e sugiro que você visite os endereços abaixo, caso esteja buscando por informações sobre o “dilúvio” australiano. Mas quero compartilhar um vídeo muito assustador, demonstrando a rapidez e a força das águas. É de arrepiar. E que Deus tenha misericórdia de todos, na Austrália e também no Brasil, especialmente nas regiões serranas do Rio de Janeiro. Nos juntemos em oração…

Essas filmagens amadoras foram feitas em Toowoomba, de onde veio um rio parecendo uma onda gigante, daí muitos dizerem que a Austrália viveu algo semelhante à um “Tsunami”.

Confira detalhes nos sites abaixo:
http://www.news.com.au/

http://www.abc.net.au/news/stories/2011/01/11/3110450.htm?section=justin

http://au.news.yahoo.com/local/qld/

Fazendo As Contas Antes De Mudar…

Talvez esse não seja um dos meus melhores posts, por isso sinta-se à vontade para nem terminar a leitura. Não estou num dia bom. E os pensamentos fluem e rolam absurdamente em dias assim. Penso que sou capaz de escrever um livro inteiro em dias típicos como esse. Mas por enquanto, vou me contentar com um post. Se ele ficar muito extenso, me desculpe. Mais uma vez, sinta-se livre para não ler.

Escrevo hoje especialmente para aquelas pessoas que estão planejando morar fora, na Austrália ou em qualquer outro buraco desse mundo! Sair do país, de perto da família, dos amigos, de tudo que você tem e vive. De tudo que talvez hoje te encha o saco, que faz você sentir que precisa FUGIR, que faz você sonhar com uma vida totalmente nova e diferente. Mas quero ser clara nesse momento: você já fez as contas? Tem um versículo bíblico que eu amo, dizendo exatamente isso: ” Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?” Isso está em Lucas 14:28.

Procuro sempre me lembrar disso em minha vida, pensando: estou pronta para isso? Vou dar conta? Vou terminar o que me propus? Se tem uma coisa que detesto nessa vida, é começar algo e não terminar. E olha que sou bem experiente na questão. Vamos direto ao ponto. Você tem colocado na balança TUDO o que significa morar longe? “Fazer as contas” não é apenas financeiro; é emocional, é cultural, é pesar o que realmente tem valor prá você!

Sabe por que me sinto no direito de questionar sobre isso? Meu pai está com a saúde bem debilitada. Vai ser submetido à exames mais específicos por esses dias, já que não se sabe o motivo de alguns sintomas. Ele tem diabetes, é de idade avançada e tudo isso complica, é verdade. E nesse momento, que estou tão longe, tenho coragem de confessar à vocês: falhei ao fazer as minhas contas. As emocionais. Não dou conta disso. Tenho pânico só de pensar em perder meus pais nessa lonjura. Ou um deles. Ou ambos.

Se você é alguém apegado à família, eu sugiro: faça e refaça as contas quantas vezes forem possíveis ou necessárias. Se você não é (como eu já pensei um dia que eu não fosse), também pense nisso. E muito. Porque a distância amolece corações. Derruba muros dentro da gente. Faz até o mais durão de coração sentir falta dos seus. Ela é cruel. No meu caso, eu já estava fora da minha cidade natal há 11 anos, mas chegava lá de carro em, no máximo, 3 horas. Hoje, não chego em menos de dois dias, mesmo que encontre uma passagem milagrosa de um dia para o outro. Sem contar o preço da tal…

Nesses anos que estamos vivendo aqui, a coisa mais importante que aprendi foi o quanto eu desperdicei tempo de estar com a minha família. Tive meus motivos, que hoje me corroem por dentro, mas tento trabalhar isso em meu interior. Não sei qual é o seu motivo; trabalho em excesso, mágoas do passado, falta de tempo, falta de vontade, sei lá… Só sei que não deveria ser assim… E, acredite, estando longe, tudo se potencializa. Estando MUITO longe, tudo se potencializa duplamente. Faz a gente enxergar o que perdeu. E o que continua perdendo. Ou o que vai perder no futuro.

De novo, eu aconselho: faça as contas. Refaça. Sonde muito bem se tudo de fato vale à pena. Posso te garantir que, uma hora, a vontade de comer as comidas brasileiras passa, até porque comemos muito bem por aqui. Uma hora, a saudade dos lugares que você mais gosta, passa, porque você terá novos ( e maravilhosos!) lugares preferidos. Uma hora, a saudade da língua passa, porque falar Inglês bem começa à empolgar; entender e se fazer entender ENCANTA. Uma hora, a saudade da Pátria melhora, quando você vê e sente a qualidade de vida de outros lugares. Mas a falta da família, das pessoas mais próximas à você, isso NÃO PASSA NUNCA! Frases como “ninguém é insubstituível”, perdem totalmente o valor. Hoje, em minha vida, algumas pessoas são totalmente insubstituíves. TOTALMENTE.

E quer saber? Mesmo que você não esteja longe, não vá se mudar, mas de alguma forma está distante da sua família, mude isso JÁ! Você não está lendo esse texto por um acaso… Aproveite. A gente nunca sabe o que a vida nos reserva. Perdoe, ame, abrace, ajude, releve, fique perto… O que pode importar mais do que as pessoas que a gente ama?

Faça as contas, por favor. As minhas estavam furadas. Não me preparei para isso. Não estou preparada para estar longe num momento como esse. Se não podemos estar perto na hora da enfermidade, prá que raios servem as famílias? Para os Natais? Para os aniversários? Sabe? Ele até pode não ser o melhor pai do mundo, sei disso, mas ele é o MEU PAI! Basta.

Não Aprendi Dizer ADEUS!

Uma das coisas mais chatas e dolorosas por aqui, SEM SOMBRA DE DÚVIDAS, é a constante participação em festas de despedida! Como estamos longe de casa, a maioria dos amigos que temos são pessoas que também estão longe de casa. Isso nos torna mais íntimos, mais próximos, compartilhando dores semelhantes, dúvidas semelhantes, dificuldades semelhantes, enfim, VIDAS SEMELHANTES! E como não poderia deixar de ser, nem todos estão aqui prá ficar de vez! Na realidade, a grande maioria veio para estudar, ou trabalhar em algum projeto, ou veio e decidiu voltar, por razões pessoais.

Isso torna tudo mais difícil, levando-se em consideração que morar fora nos torna mais sensíveis, mais quebrantados, trazendo às nossas amizades por aqui um significado muito mais forte! Logo que chegamos, bem no primeiro dia de Austrália, conhecemos pessoas de monte. Nem todos se tornaram nossos amigos de verdade, mas os que se tornaram, marcaram nossas vidas. E como tinha de ser, nem todos estavam aqui prá ficar…

Então, desde que chegamos, comecei a computar a dor de dizer adeus à pessoas que começavam a fazer parte dos nossos dias, das nossas vidas. Veja bem, você pode pensar: “Mas vocês estão fora há apenas 2 anos e alguns meses e já conseguiram fazer amigos que, ao partirem, provocam tanta dor?” Sim, a resposta é SIM! Quando compartilhamos sonhos, dores, frustrações, medos, dúvidas, quando precisamos de ajuda até mesmo prá comprar comida, porque você não conhece praticamente NADA, as relações tomam rumos muito mais profundos, os laços se aprofundam muito mais rapidamente do que em relações normais.

Nossa primeira despedida aconteceu logo na segunda semana de Austrália! Calma, não fizemos amigos com essa rapidez! Na verdade, quando viemos prá cá, já tínhamos bons amigos morando em Melbourne. Um grande amigo do meu marido, com quem ele morou e estudou no período da Faculdade, já estava morando aqui com a esposa e filho (Maurício, Eveline e Oliver). Por isso viemos com segurança, acreditando que as coisas seriam mais fáceis com eles aqui. Mas, advinhem? Ele foi transferido para outro Estado, no mesmo mês em que chegamos! Agora moram em Brisbane!

Logo na segunda semana, lá estávamos nós no Aeroporto de novo!

Depois de um tempo, lá vamos nós nos despedir de Raquel e Ricardo, que voltavam ao Brasil! Amigos queridos que passaram nosso primeiro Natal aqui com a gente!

Despedida no restaurante mexicano "Amigos"! Nome propício, não?

E por incrível ( e triste!) que possa parecer, uma semana depois lá se vão prá Suíça, de mudança, Cadú e Juliana, “grávidos” do pequeno Mark!

Casal querido que nos ajudou muito a RECOMEÇAR por aqui!

A próxima despedida aconteceu quando finalizei meu curso de Inglês. Você passa 5 horas por dia, 5 dias na semana, vendo as mesmas pessoas que compartilham de sua “homesick”, de suas lágrimas de saudades, da falta de sua vida anterior… Mais laços por afinidades, claro!

Senti muita falta dessa galera que me fazia rir MUITO!

Na próxima despedida, pensei que não daria conta! Marcus e Andréa, nossos amigos mais chegados, foram transferidos pros EUA! Estávamos então sem Cadú, Juliana, Marcus e Andréa, aqueles que nos deram a maior força desde que chegamos! Gente, doeu, viu?!

Eu só pensava uma coisa nesse dia: quero ir embora também!

Pensam que acabou? Antes tivesse acabado! Logo depois Patrícia, Cláudio e Laurinha terminavam seus planos por aqui! Lá vamos nós ao Aeroporto ( de novo!) chorar e dizer adeus para outros amigos do coração! Mas na despedida deles, conhecemos os casais Maurício e Natasha/ Rosana e Nixon , que agregaram à nossa turma e se tornaram MUITO queridos para todos nós! Obrigada, Pati! Você foi, mas dividiu pessoas maravilhosas conosco!

Da esquerda para a direita: Natasha, eu, Pati e Angela!

 Logo em seguida, uma das “Powerpuff Girls” deixou nossa turma de “Meninas Super Poderosas” do café da manhã! Nossas manhãs de sexta NUNCA MAIS  foram as mesmas sem ela… Sentimos falta dela toda vez que nos reunimos!

Sinto muita falta dessa família tão querida!

Recentemente, nos despedimos de outra família querida: Juliana, Daniel e Júlia linda! Também terminaram seu tempo aqui e voltaram para a Bahia!

Temos certeza de que um dia vamos nos reencontrar no Brasil, queridos!

E hoje, exatamente, estamos nos despedindo do Eugênio, Adriana, João Pedro e Luís Felipe! Somos conterrâneos dessa família querida (guaratinguetaenses, com orgulho!) e nos encontramos aqui em Melbourne depois de anos e anos sem nos vermos! Os filhos deles foram os primeiros amigos do meu filho por aqui e me lembro da alegria que senti ao ver meu filho sorrir e se divertir pela primeira vez, quando fomos visitá-los logo que chegamos!  Obrigada, queridos, pela amizade, pelo carinho, pela ajuda e companhia. Jamais nos esqueceremos de tudo que vivemos juntos por aqui!

Famílias Amigas!

Sei que esse post ficou enorme, como o vazio que fica no coração da gente quando temos que nos despedir de pessoas que amamos! Mas termino deixando um caloroso “ATÉ BREVE” à todos vocês que conquistaram um lugar especial em nosso coração!

 

A “Palhaçada” Nas Eleições Brasileiras…

Já mencionei aqui num outro post e refaço minha afirmação: se tem uma coisa da qual NÃO SINTO FALTA do Brasil, é a Política! Tenho muito orgulho, sim, de sermos um país “democrático” ( nem tanto, na minha humilde opinião), de termos um sistema de voto de Primeiro Mundo (embora no Primeiro Mundo eles não tenham um sistema como o nosso! Nas últimas eleições aqui na Austrália, levaram dias e dias apurando os votos!), de termos “liberdade” para discutir, conhecer e se aprofundar nas questões políticas e sociais do nosso país. Tudo isso foi conquistado com muita luta, depois de anos de ditadura militar e muito sofrimento do povo brasileiro. Hoje, o Brasil é respeitado politicamente falando em todo o mundo, com a quarta democracia mais forte do planeta!

Mas vamos falar sério??? Fiquei chocada quando vi o resultado para Deputado Federal. Sem nenhuma ofensa pessoal ao Tiririca, mas como um povo que pensa em mudar seu rumo político, mudar sua história, um povo que reclama tanto de seus políticos e suas atitudes, pode tê-lo como Deputado Federal do PR, o  MAIS VOTADO DO BRASIL, com 1.353.000 votos? Sim, mais de um milhão de votos para o Tiririca???

Desanimo com situações como essa! Desanimo de ver um Brasil novo, um Brasil moderno, rumo ao crescimento e desenvolvimento. Um Brasil que muitas vezes dá sinais de amadurecimento, de crescimento invejável, como por exemplo, duas horas depois já termos resultados confiáveis da eleição em vários estados… Mas a manisfestação do povo ao votar no citado “palhaço”, não me faz pensar em revolta contra a corrupção, nem desejo de mudança, nem maturidade para escolher… isso me soa como INFANTILIDADE política, desprezo pela preciosidade e unicidade do VOTO, desvalorização da própria cidadania!

E agora aguardemos pela “palhaçada” posterior, quando os candidatos começam as chamadas “coligações” para o Segundo Turno. Eles se atacam, quase se matam durante o Primeiro Turno, correm atrás das sujeiras passadas e jogam isso no ventilador, tornando os horários eleitorais gratuitos em momentos desagradáveis e, no mínimo, constrangedores, quando, na realidade, deveríamos ter esses momentos para conhecer as idéias e os projetos de cada candidato. Aí, no fim,”arqui-inimigos” dividem palanques, trocam abraços e apertos amigáveis de mãos. H-I-P-O-C-R-I-S-I-A!

Já me decepcionei muito em eleições passadas, quando eu me identificava totalmente (e ideologicamente) com os candidatos que escolhi, e posteriormente eles acabaram se coligando com gente desonesta, com ladrões descarados, gente tipo “que rouba mas faz”, entende? Por isso, não manifesto minha opinião, nem minha preferência para Presidente, porque posso ter uma nova decepção, mesmo não votando, ou estando fora do Brasil nessas eleições. De coração, espero que a pessoa que hipoteticamente receberia meu voto (e minha credibilidade!) não se alie àqueles em quem eu JAMAIS votaria por questões de ética e valores morais. E que Deus nos ajude. Embora tenha gente acreditando “nesta eleição nem mesmo Cristo querendo, me tira essa vitória”, que Ele seja o Árbitro em TODAS AS COISAS…